Mais uma dose de esquina
Milômetros e quililitros
Distância cabida no nosso tempo
Um dois três quatro cinco segundos
Calados
Falados mentidos
Palavras engavetadas em pratos magnéticos de alumínio
Tudo mais será esquecido
Restará pra lembrar um prato sujo
e latidos agudos
Eu não ouvi
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Cinofobia
Terça-feira 23, Jun 2009 · Deixe um comentário
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A pacacidade
Sábado 6, Jun 2009 · Deixe um comentário
A pacacidade
é a prisão da minha sensatez
onde repousa o desejo
A nudez revela menos que esconde
O pouco que vejo é tão cedo,
o medo ainda conserva uma palidez
indigna e mentirosa no copo
Escolho uma cadeira
Mato os sonhos
um a um
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Terça-feira 2, Jun 2009 · Deixe um comentário
A lança que atravessa meu peito
dilacera a carne e divide ossos indecisos
Pega a alma de jeito
Envolve-na e arranca o de que preciso
Tudo quanto me nutre agora detém
o trago de oxigênio paralisa
o som hipnótico dos segundos também
a Vida deixa-se ir numa brisa
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Alecrim,
Terça-feira 19, Mai 2009 · Deixe um comentário
Necessito a hipótese da tua lua derramar em mim o mesmo brilho que te contempla. Necessito teu vagar desconhecido que eu pretendo decifrar em gota. O dia é margem pretensiosa, escorregadia pra meu caminhar viciado. Que rastro conhece teus passos e quando partem? Que estrada a ti há de me entregar? Sigo tateando a relva pois desconfio dos olhos baços. Os cravos muito me cansam e as margaridas não me detêm. Alecrim, escorre o teu perfume a me buscar. Hás de tragar minha forma, hei de florescer na margem do dia.
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Você me beijou
Quinta-feira 28, Ago 2008 · Deixe um comentário
Você me beijou. Mesmo sabendo meu despreparo; me beijou, sem medo de se arrepender.
De fato, por muito tempo não se arrependeu. Mas isso mudou. Você não sabe exatamente quando começou. No momento lhe falha a memória: lembranças se sobrepõem num redemoinho que nada se assemelha à linha do tempo, amiga dos jornais e funerárias.
A briga; o beijo, o primeiro e todos os outros; palavras, palavras, palavras… Agora que minhas palavras garranchudas e afiadas habitam pulsantemente seu pensamento, você se pergunta. Busca esperançosa palavras de amor que eu tenha declarado. E persiste, pronta pra se dar por satisfeito com um “gosto de você” gaguejado. Reluta à solidão de suas palavras belas, que sempre me rodearam. Impossível que eu jamais tenha retribuído, ou que você não tenha notado.
Uma fagulha de raiva desperta a pior sensação que você irá experimentar até morrer. Uma sensação de injustiça implode o resquício de esperança e faz desmoronar toda a razão por qual você me beijou aquela noite. Me beijou sem medo de se arrepender, e agora se arrepende.
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