Fora a palavra arrancada de sua voz tão cedo, que nunca sentiu falta. Caminhou carregando o silêncio. Emergiu da trincheira ao alcance do sol, sem escudo nem arma. Foi vítima do som que não captava. Quando tudo escureceu, tentou dizer “adeus”.
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Esperando chegar a hora
Quinta-feira 26, Fev 2009 · Deixe um comentário
Era o meu primeiro amor da estação e tudo perfeito estava: o burburinho nos contornava, ela cheirava a xampu. Confessamos nossas desilusões e nos prometemos, num esbarro de ombros, “eu vou me lembrar de você”. Eu hesitava. Ergui meus olhos e encontrei confiança em seu olhar. Inclinei-me e mirei seus lábios semi-cerrados meio de lado. Contive um sacudir no peito, um fôlego ardido se deteve em minha face. Era tão gostoso que doía, esperando chegar a hora. Senti o calor de seu suspiro contido, os lábios mais abertos que cerrados agora. Suas narinas sopraram meu queixo que de tão perto um arrepio denunciava. Esperando chegar a hora, mais chegando que a esperar.
Foi quando veio um tropeço, armadilha do destino; um desencaixe mesmo antes de encostar sua boca com a minha, que fez doer mais ainda e minha face mais corar. De queixos opostos, fitamos nossos joelhos tão mais distantes, esperando chegar a hora.
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conversar demais consigo mesmo
Segunda-feira 9, Fev 2009 · Deixe um comentário
Conversar demais consigo mesmo
converte acidez em amargura
que depois de certa data
nem cura o tempo, nem o amor cura
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O centro do mundo
Sexta-Feira 19, Dez 2008 · Deixe um comentário
Eu costumava pensar comigo
que o centro
do mundo era o meu umbigo
Mas mudei, e agora acho
que fica
um pouco mais embaixo
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