Era o meu primeiro amor da estação e tudo perfeito estava: o burburinho nos contornava, ela cheirava a xampu. Confessamos nossas desilusões e nos prometemos, num esbarro de ombros, “eu vou me lembrar de você”. Eu hesitava. Ergui meus olhos e encontrei confiança em seu olhar. Inclinei-me e mirei seus lábios semi-cerrados meio de lado. Contive um sacudir no peito, um fôlego ardido se deteve em minha face. Era tão gostoso que doía, esperando chegar a hora. Senti o calor de seu suspiro contido, os lábios mais abertos que cerrados agora. Suas narinas sopraram meu queixo que de tão perto um arrepio denunciava. Esperando chegar a hora, mais chegando que a esperar.
Foi quando veio um tropeço, armadilha do destino; um desencaixe mesmo antes de encostar sua boca com a minha, que fez doer mais ainda e minha face mais corar. De queixos opostos, fitamos nossos joelhos tão mais distantes, esperando chegar a hora.