Na ausência da cor
A flor perde o encanto
O pranto é sem dor
O amor não é tanto
Que espante o horror
Entradas do Março 2008
Pretospectiva
Domingo 2, Mar 2008 · Deixe um comentário
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Desamores
Domingo 2, Mar 2008 · Deixe um comentário
Submeto-me a uma dieta rigorosa de falta de amores. Vivo a vida como para quem tanto faz um dia. Uma noite, um tédio a mais. Rascunho os sonhos que eu queria ter. Rio de mim mesma, menos por humor e mais por falta de bom senso. E quando julgo meus próprios pecados, tenho a obstinação qual me falta em todos outros aspectos da vida. Esta obstinação fugitiva que abandona todos meus planos estagnados. Todos meus amores mal-velados e ora regrados, ora incontidos. Quase sempre faltosos de mim mesma.
Às vezes fico inventando amores. Invento um sentimento que tem a promessa de me preencher, esquecendo que assim me tornarei um saco cheio de mentira. Ainda assim, por vez ou outra, rendo-me. Entrego-me a este desejo de mentirinha. Finjo gostar e finjo não saber que finjo que gosto. E como adoro fisgar um coração e maltratá-lo. Não raro, faço confissões em meio à fantasia, tornando-a ainda mais sedutora.
Mas chega sempre a hora do fim. O momento que traz um nó na garganta que parece filtrar minhas falsas gentilezas e declarações perfeitas. Uma pedra se revira em meu estômago sempre que penso na palavra “fim”, dita em letras breves e cruéis. Somente um pensamento ocupa minha mente, e um medo habita minha alma: do vazio que me espera. Como mesmo para o pior tenho pressa, levanto-me nua ainda ofegante de um sexo mal-feito e cato as roupas. Parto sem me despedir.
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