40-Gun

Cinofobia

Terça-feira 23, Jun 2009 · Deixe um comentário

Mais uma dose de esquina
Milômetros e quililitros
Distância cabida no nosso tempo
Um dois três quatro cinco segundos
Calados
Falados mentidos
Palavras engavetadas em pratos magnéticos de alumínio
Tudo mais será esquecido
Restará pra lembrar um prato sujo
e latidos agudos
Eu não ouvi

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A pacacidade

Sábado 6, Jun 2009 · Deixe um comentário

A pacacidade
é a prisão da minha sensatez
onde repousa o desejo
A nudez revela menos que esconde
O pouco que vejo é tão cedo,
o medo ainda conserva uma palidez
indigna e mentirosa no copo
Escolho uma cadeira
Mato os sonhos
um a um

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Terça-feira 2, Jun 2009 · Deixe um comentário

A lança que atravessa meu peito
dilacera a carne e divide ossos indecisos
Pega a alma de jeito
Envolve-na e arranca o de que preciso

Tudo quanto me nutre agora detém
o trago de oxigênio paralisa
o som hipnótico dos segundos também
a Vida deixa-se ir numa brisa

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Alecrim,

Terça-feira 19, Mai 2009 · Deixe um comentário

Necessito a hipótese da tua lua derramar em mim o mesmo brilho que te contempla. Necessito teu vagar desconhecido que eu pretendo decifrar em gota. O dia é margem pretensiosa, escorregadia pra meu caminhar viciado. Que rastro conhece teus passos e quando partem? Que estrada a ti há de me entregar? Sigo tateando a relva pois desconfio dos olhos baços. Os cravos muito me cansam e as margaridas não me detêm. Alecrim, escorre o teu perfume a me buscar. Hás de tragar minha forma, hei de florescer na margem do dia.

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Filosofia de vida de que nem sabe rimar

Quinta-feira 7, Mai 2009 · Deixe um comentário

Onde cabe tudo, nada cabe.

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Quinta-feira 7, Mai 2009 · Deixe um comentário

Fora a palavra arrancada de sua voz tão cedo, que nunca sentiu falta. Caminhou carregando o silêncio. Emergiu da trincheira ao alcance do sol, sem escudo nem arma. Foi vítima do som que não enxergava. Quando tudo escureceu, tentou dizer “adeus”.

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Regresso partido

Domingo 12, Abr 2009 · Deixe um comentário

O cheiro que ecoa, toda a gente, o timbre familiar. Onde o calor é outro quente. Até o minuto passa diferente. Não sei se devagar ou de repente, me convida a ficar. Eu, que não sou de desfeita, fito o desejo à espreita; detenho um pé dentro, outro fora. Deixo o coração onde mora e me ponho a sofrer em seu lugar.

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Esperando chegar a hora

Quinta-feira 26, Fev 2009 · Deixe um comentário

Era o meu primeiro amor da estação e tudo perfeito estava: o burburinho nos contornava, ela cheirava a shampoo. Confessamos nossas desilusões e nos prometemos, num esbarro de ombros, “eu vou me lembrar de você”. Eu hesitava. Ergui meus olhos e encontrei confiança em seu olhar. Inclinei-me e mirei seus lábios semi-cerrados meio de lado. Contive um sacudir no peito, um fôlego ardido se deteve em minha face. Era tão gostoso que doía, esperando chegar a hora. Senti o calor de seu suspiro contido, os lábios mais abertos que cerrados agora. Suas narinas sopraram meu queixo que de tão perto um arrepio denunciava. Esperando chegar a hora, mais chegando que a esperar.

Foi quando veio um tropeço, armadilha do destino; um desencaixe mesmo antes de encostar sua boca com a minha, que fez doer mais ainda e minha face mais corar. De queixos opostos, fitamos nossos joelhos tão mais distantes, esperando chegar a hora.

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conversar demais consigo mesmo

Segunda-feira 9, Fev 2009 · Deixe um comentário

Conversar demais consigo mesmo
converte acidez em amargura
que depois de certa data
nem cura o tempo, nem o amor cura

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Velejei

Sexta-Feira 19, Dez 2008 · Deixe um comentário

Velejei mares além por quanto
o tempo me fez velejar
Na estrada de mar não havia
à vista além de água
e de céu e horizonte
Saudade não vi nem ao longe
nem onde o horizonte se perdia

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